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Professora, Mulher, Preta - conheça a trajetória de Ana Tereza


        No ano de 1992, nascia, em nossa amada Ruy Barbosa, no interior da Bahia (Chapada Diamantina), a pequena Ana Tereza Oliveira Santos, filha caçula de dona Tereza e seu Ademir (conhecido como “Passarinho”), neta de dona Zulmira, que fora parceira e amiga da saudosa Mãe Jovina. Ana Tereza, ou simplesmente Aninha/Ninha, MULHER, NEGRA, de origem humilde, com mais três irmãos, NUNCA deixou de acreditar em seus sonhos, o que nunca deveríamos deixar de fazer na vida, concordam? Sua própria vida narra tudo isso, uma vida simples, com muito amor e superação. Moradora do bairro Jardim do Cedro, o “Pulo do Bode”, sua primeira casa era feita de taipa, sem nenhum direito à cama, dormia em colchão feito de capim, como podiam, à época. Guerreira, sabe muito bem, na própria pele, com o próprio sangue e suor, quais são as dores da vida...

            Desde cedo, essa menina ganhava o mundo... Arteira como era, bem popular que é, andava pelas ruas do seu próprio bairro (e para além) brincando com todo mundo, repleta do jeito brincalhona de ser (até hoje a gente conhece como é). No entanto, nem tudo foi só brincadeira na vida de Ana Tereza... Infelizmente, e como a vida a impôs, ela precisou amadurecer, desde os seus 13 anos, para, assim, poder ajudar a própria família. Por isso, diante das situações difíceis, trabalhava sem parar no mercado municipal, dobrando fardos de roupas para ganhar, enfim, R$ 8,00 por sábados. Aos 15, empenhava-se nas funções de um bar e, também, vendia acarajé para ganhar R$ 50,00 por semana (quinta a domingo).

            Essa é a dura realidade de quem nunca teve nenhum tipo de privilégio e precisa trabalhar para não morrer de fome, nem conviver com tamanhas preocupações como parte do seu dia. E mesmo ganhando pouco, nas piores condições, nunca desistiu do poder de transformação da EDUCAÇÃO. Ajudando em casa, Ana era obrigada a conciliar o trabalho com a escola: na Educação Infantil, frequentou a Escola Alice Teles; no Ensino Fundamental, fez parte da Escola Emanuel Brasil Ramos; no Ensino Médio, conclui essa fase da vida no Colégio Estadual Professor Magalhães Neto (CEMAN), tendo sido preparada para ser mais uma professora na família. Ana também estudou na aeronáutica (Academia Especializada em Preparação e Orientação Militar – AEPOM) durante 8 meses. Logo no finalzinho da etapa de conclusão, por motivos de um acidente jogando bola no time de futebol no qual ela fazia parte, sofreu uma lesão no joelho direito.

            E o estudo não parou por aí: ingressou no Ensino Superior no curso tecnológico em Gestão Hospitalar, complementando sua formação com pós-graduação em Psicopedagogia Institucional e Clínica e em Metodologia do Ensino da História. Como professora, acreditando no poder espetacular da educação, o estudo nunca é demais e, para continuar nessa trajetória, vem se dedicando a mais um curso de licenciatura em História, além das palestras e eventos que teve a oportunidade de participar. Da mesma forma que não foi nada fácil ter que ser jovem, viver esse período da vida, e não poder só escolher estudar, na época da faculdade essa luta voltou... E com força! Ana tinha que lidar com os mais variados problemas em longas e exaustivas viagens entre Ruy e Itaberaba.

            Para além de toda a sua dedicação na área educacional, a humilde Ana Tereza ainda sonha em ser artista. Essa vontade de fazer a diferença no que diz respeito à cultura teve início com Jarbas Lima e, também, pela colaboração de Marcílio Oliveira, quando atuou, em nosso município, como atriz em peças teatrais, em especial, a Paixão de Cristo, A chegada de Lampião no inferno e no céu e Só tem santo no país chamado... Adivinha?; e, como diretora, dirigiu a peça Planeta dos sonhos, dentre outras. Foi convidada para atuar em cinema, participando, como atriz/roteirista dos curtas-metragens Ladrões em cena e O sonho, produções filmadas na nossa própria cidade. Ana ganhou destaque estadual e internacional ao ser agraciada com a premiação de melhor roteirista do filme Ladrões em cena, no Projeto Cinema no Interior.

            Por influência de sua família paterna, em especial a sua tia Carlinda da Conceição, Ana vem se dedicando e promovendo um legado religioso de matriz africana desde criança, mantendo, com isso, a tradição de sua família. Por se preocupar sempre com o outro, por amor e com o desejo maior de manter os laços com o seu povo preto e forte, oficialmente, aos 25 anos, se iniciou no candomblé de nação Angola.

Hoje, aos 28 anos, um pouco mais experiente, Ana Tereza lança sua candidatura à Câmara Municipal, pela primeira vez na vida, com mais empenho ainda, uma vez que já vem se dedicando ao serviço público há mais de 8 anos, tendo contribuído para a formação de uma juventude: pela Prefeitura, desde 2013, teve a oportunidade de ensinar na Escola Carneiro Ribeiro (4 anos), na Escola Eraldo Tinoco (1 ano), na Creche Isabel Figueiredo (2 anos) e na Escola Professora Nailse Pereira (mais recentemente); e, pelo Estado, lecionou, em 2014, por 4 meses, no CEMAN.

Nessa trajetória como professora, Ana pôde atuar em todos os níveis/fases da Educação Básica, do Ensino Infantil ao Médio, empenhando-se, nesses anos todos, em aprender cada vez mais, já que teve que lidar com diversas disciplinas para além da sua formação inicial. E foi atrás, lidou com as dificuldades e experimentou a verdadeira arte de ensinar. Ganhou asas e construiu histórias...




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